sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Apenas olhe para frente



Dentro do ônibus, eu olhei pra você.
Com medo de você notar.
E com a mesma esperança. Note-me!
Olhei com cuidado, pra não te constranger.
E olhei com atenção, esperando você notar.

Dentro daquele ônibus, olhei de novo pra você.
E você olhava para alguém, pelo celular.
Continuei, até você olhar pra frente, pra mim.
Desviei o olhar.

Você voltou a olhar para alguém pelo celular.
E eu, bom, eu voltei a te olhar.
Continuei olhando a sua beleza, o seu olhar.
Olhei seus cabelos, seu rosto e seu sorriso.
E você sorrindo, olhando para o celular.

Continuei olhando para você, sabendo o seu medo.
De ter um homem te olhando, quando não mais, em um ônibus.
Continuei te olhando, e você, olhando para o celular.
Quando você olhou para frente, para mim, desviei o olhar.

Sorri olhando para o lado, para fora da janela.
Mas na verdade, eu olhava para você, pelo reflexo.
E você olhando, diretamente, para mim. Sorri.
Mas não te olhei, não te vi. Para não te constranger.

Meu ponto chegou. Apertei o botão.
Olhei pra você já cheio de saudades.
Era a última olhada minha para você.
E você olhando para o celular, sorrindo.
Quando me levantei pra descer, você olhou pra mim.
Eu sorri. E você também. O ônibus parou. E eu desci.
Desci e vi você olhando e sorrindo pra mim pela última vez.
E eu te enxerguei, pela primeira vez.

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