Ali estava ele, recostado naquela parede suja daquele sujo boteco, bebendo um copo de whisky e olhando para ela. Para ela e para aquele homem que a abraçava. Que abraçava e, também, beijava-a. E, enquanto olhava, ele se perguntava o por quê. Por que a olhava daquele jeito, cheio de vontades? Por que a queria assim, acima de todas as outras pessoas, mesmo sabendo que ela está com outro? Ele se perguntava isso, mas já sabia da resposta. Ele a queria, porque sabia que ela não fora feita para aquele homem que a beijava. Ele sabia e sabe que ela foi feita pra ele. O detalhe é que ela ainda não sabia disso. Ainda.
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Dias antes, ali estava ele, ao telefone, conversando com ela. Assuntos idiotamente cotidianos, mas ao mesmo tempo, interessantes. Futilidades que iam do “como foi seu dia?” até “você viu aquele vídeo idiota daquele idiota que pula de uma pedra e cai de barriga na água?”. Ele duvidava que ela se divertisse e conversasse daquele jeito com outras pessoas. Dentre essas conversas, ele sentia medo. Medo pois sequer imaginava que alguma outra pessoa no mundo tivesse uma coleção de escovas de dente em casa, apenas porque esquecia de levar a sua para uma viagem, obrigando a compra de uma outra que, depois, acabaria guardada em uma gaveta qualquer. Ele sentia medo e tentava imaginar o que mais tinham em comum. E tinham muitas outras coisas, coisas essas que acabariam por tirar o medo dele e transformariam esse medo em, paixão. Paixão e decepção.
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Naquela suja parede daquele sujo bar, ele observava os dois. Ela estava bebendo cerveja, o homem, água tônica. Ela está fumando um cigarro e ele, mascando um chiclete de menta. Ela jogava sinuca de um jeito que ele jamais jogaria, enquanto o homem jogava sinuca de um jeito que ela apenas sorria. E ele ali, recostado na parede. Observando. Imaginando.
Então ele se lembrou do beijo dela. Daqueles beijos, que duraram uma madrugada apenas. Daqueles lábios, que agora tocavam outros lábios. Daquele perfume, que agora impregnava outra camisa, que não a dele. Lembranças que não deviam machucar, mas que machucavam. Machucavam não por pertencerem agora a outra pessoa. Mas por pertencerem a outra pessoa que não as merecia. Apenas porque essa outra pessoa não fora feita para ela. Então ele pediu outra dose de whisky.
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- Por que você tá com ele?
- Porque eu gosto dele.
- E você está feliz?
- Não sei.
- Você deveria responder que sim. Se não sabe, é porque sinceramente, você não está.
- É, sei lá.
- Você não sabe, mas eu sei que não está.
- Mas agora estou com ele.
Esse golpe ele sentiu com força. Não por gostar, e muito, dela. Mas porque, acima de tudo, ele quer vê-la feliz. E ela não está, assim, feliz. Ela está apenas vivendo no comodismo. E isso não é viver, é existir.
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Ali, bebendo aquele whisky, ele continua observando os dois. E fica apenas a imaginar como seria se tudo fosse diferente. Se ele soubesse jogar sinuca como ela joga. Se ele estivesse abraçando-a, ao invés de vê-la ser abraçada. Como seria, se os dois estivessem bebendo um vinho qualquer em uma praça qualquer. Como seria estar deitado com ela na cama, matando ambas as vontades. Como seria beber um café ao lado dela, dentre as fumaças de ambos os cigarros. Ou como seria viajar para a praia num sábado ao anoitecer, sentar na areia, conversar e se divertir para, depois, simplesmente vir embora. Ele imagina, enquanto ela existe. Mas não vive. E ele fica ali, torcendo para ela desistir dessa ideia tola de apenas existir, para vir viver com ele uma louca história completamente sem planos, sem ideias e sem mentiras. Para viver momentos cheios de loucura, de risadas e de conversas em comum. E enquanto ela existe e finge viver, ele está por aí, apenas sonhando dentre um copo e outro de whisky.
sábado, 30 de janeiro de 2010
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Discussão (ou seria briga?) na blogosfera brasileira
Na terça-feira, dia 20 de outubro, a blogosfera brasileira acompanhou a mais recente briga entre blogueiros.
Alguns dizem que começou como um mal entendido. Apenas uma piada que recebeu uma réplica e culminou numa tréplica.
Eu digo que foi uma grande perda de tempo. Que eu perdi. Mas foi interessante para analisar alguns aspectos sobre o que é a blogosfera e de que forma ela é relevante atualmente. Mas vou começar pelo início.
Um tal de Ronald Rios (MTV guy), de quem eu sequer ouvira falar até então, criou um post tirando sarro do about me do blog do Felipe Neto. O blog do Felipe Neto (Controle Remoto) eu já conhecia há muito tempo e, apesar de não concordar com algumas de suas ideias, eu gosto muito e leio sempre que algo novo é postado justamente pelas características dos posts dele, que são muito parecidas com as que eu tinha no meu antigo blog, lá dos idos de 2001.
Resumindo: O blog de um é de humor, piadas, o do outro, é sobre ideias, reflexões.
Os fatos:
Eis que, do nada, levado apenas pela sua natureza humorísica, o Ronald criou esse post que ridicularizava o about me do blog do Felipe (e nem adianta tentarem ler o about me, já que o Felipe irá modificá-lo). Por que ele fez isso? É mais fácil perguntar a ele. Tentativa de ser engraçado? Certamente. Deu certo? Na minha opinião, não, já que não achei graça e não ri em momento algum. Mas o humor tem dessas coisas. Enquanto há pessoas que acham Zorra Total hilário, há outras que o veem como "vergonha alheia plus". Já eu prefiro Monty Python.
Então, o Felipe fez essa réplica, utilizando do seu já conhecido sarcasmo, para falar sobre o Ronald. O resultado foi um bafafá que movimentou a blogosfera na tarde dessa terça-feira.
Mas ainda não satisfeito, o Ronald ainda redigiu essa tréplica, como forma de tentar ridicularizar novamente o Felipe.
O resultado:
1. É um bafafá que irá perdurar por alguns dias, mas logo vai acabar. Não estou dizendo que daqui a 2 semanas os dois estarão sentados tomando chopp juntos. Mas quem lembra da história da kibagem, entenderá do que estou falando (quem nunca ouviu falar nisso, clique aqui).
2. É interessante notar de que forma essas coisas caem no conhecimento de quem sequer estava por dentro de tudo. Eu, por exemplo, soube porque sigo o Felipe no twitter. Ele twittou algo a respeito, eu li, googlei procurando pelo Ronald, li, e então entendi o que estava acontecendo.
3. Em cada blog, houve floods de comentários distintos, de seus respectivos leitores e fãs. Iniciando pelo do Ronald, que iniciou toda essa história. Leiam os comentários do primeiro post e notem que, até o de número 64, os comentários restringiam-se aos leitores dele. Mas a partir daí, talvez pela réplica do Felipe, começaram a ser misturados os comentários puxa-saquistas dos leitores do Ronald, com os comentários cínicos dos leitores do Felipe. Já no post réplica do Felipe, os comentários já eram mesclados, obviamente porque a tal réplica talvez já estivesse na expectativa dos leitores do Ronald (expectativa essa que continuaria existindo, mesmo se o Felipe sequer tivesse escrito o post). E na tréplica do Ronald, os comentários continuam mesclados, já que a briga já estava no auge.
4. Outro detalhe. Dentre os comentários, falaram um pouco sobre a popularidade de cada um. Que um se acha mais do que o outro, quando deveria se achar menos, já que tem menos seguidores no Twitter (e desde quando isso significa algo?). Que o outro deveria se achar menos, já que nem graça tem, apesar de se auto-intitular humorista. Mas vamos aos dados:
- Felipe Neto: 3.769 seguidores no Twitter (até o momento)
Alguns dizem que começou como um mal entendido. Apenas uma piada que recebeu uma réplica e culminou numa tréplica.
Eu digo que foi uma grande perda de tempo. Que eu perdi. Mas foi interessante para analisar alguns aspectos sobre o que é a blogosfera e de que forma ela é relevante atualmente. Mas vou começar pelo início.
Um tal de Ronald Rios (MTV guy), de quem eu sequer ouvira falar até então, criou um post tirando sarro do about me do blog do Felipe Neto. O blog do Felipe Neto (Controle Remoto) eu já conhecia há muito tempo e, apesar de não concordar com algumas de suas ideias, eu gosto muito e leio sempre que algo novo é postado justamente pelas características dos posts dele, que são muito parecidas com as que eu tinha no meu antigo blog, lá dos idos de 2001.
Resumindo: O blog de um é de humor, piadas, o do outro, é sobre ideias, reflexões.
Os fatos:
Eis que, do nada, levado apenas pela sua natureza humorísica, o Ronald criou esse post que ridicularizava o about me do blog do Felipe (e nem adianta tentarem ler o about me, já que o Felipe irá modificá-lo). Por que ele fez isso? É mais fácil perguntar a ele. Tentativa de ser engraçado? Certamente. Deu certo? Na minha opinião, não, já que não achei graça e não ri em momento algum. Mas o humor tem dessas coisas. Enquanto há pessoas que acham Zorra Total hilário, há outras que o veem como "vergonha alheia plus". Já eu prefiro Monty Python.
Então, o Felipe fez essa réplica, utilizando do seu já conhecido sarcasmo, para falar sobre o Ronald. O resultado foi um bafafá que movimentou a blogosfera na tarde dessa terça-feira.
Mas ainda não satisfeito, o Ronald ainda redigiu essa tréplica, como forma de tentar ridicularizar novamente o Felipe.
O resultado:
1. É um bafafá que irá perdurar por alguns dias, mas logo vai acabar. Não estou dizendo que daqui a 2 semanas os dois estarão sentados tomando chopp juntos. Mas quem lembra da história da kibagem, entenderá do que estou falando (quem nunca ouviu falar nisso, clique aqui).
2. É interessante notar de que forma essas coisas caem no conhecimento de quem sequer estava por dentro de tudo. Eu, por exemplo, soube porque sigo o Felipe no twitter. Ele twittou algo a respeito, eu li, googlei procurando pelo Ronald, li, e então entendi o que estava acontecendo.
3. Em cada blog, houve floods de comentários distintos, de seus respectivos leitores e fãs. Iniciando pelo do Ronald, que iniciou toda essa história. Leiam os comentários do primeiro post e notem que, até o de número 64, os comentários restringiam-se aos leitores dele. Mas a partir daí, talvez pela réplica do Felipe, começaram a ser misturados os comentários puxa-saquistas dos leitores do Ronald, com os comentários cínicos dos leitores do Felipe. Já no post réplica do Felipe, os comentários já eram mesclados, obviamente porque a tal réplica talvez já estivesse na expectativa dos leitores do Ronald (expectativa essa que continuaria existindo, mesmo se o Felipe sequer tivesse escrito o post). E na tréplica do Ronald, os comentários continuam mesclados, já que a briga já estava no auge.
4. Outro detalhe. Dentre os comentários, falaram um pouco sobre a popularidade de cada um. Que um se acha mais do que o outro, quando deveria se achar menos, já que tem menos seguidores no Twitter (e desde quando isso significa algo?). Que o outro deveria se achar menos, já que nem graça tem, apesar de se auto-intitular humorista. Mas vamos aos dados:
- Felipe Neto: 3.769 seguidores no Twitter (até o momento)
- Ronald Rios: 7.533 seguidores no Twitter (até o momento)
- Felipe Neto: Tem um blog.
- Felipe Neto: Tem um blog.
- Ronald Rios: Tem um programa na MTV.
Isso explica muita coisa já. Porém, o mais curioso é a quantidade de comentários em cada post:
- Primeiro post do Ronald: 97 comentários (até o momento).
Isso explica muita coisa já. Porém, o mais curioso é a quantidade de comentários em cada post:
- Primeiro post do Ronald: 97 comentários (até o momento).
- Réplica do Felipe: 250 comentários (até o momento).
- Tréplica do Ronald: 46 comentários (até o momento).
Pensem um pouco. Uma dica: Relacionem os seguidores do Twitter x Comentários nos posts.
Em todo caso, pra mim isso tudo foi uma grande besteira divertida. Divertida porque me diverti lendo cada post. Não porque eram engraçados ou não, mas simplesmente porque era uma briga virtual. E porque a cada post lido, eu pensei em cada uma das coisas que falei aqui. Chega? Chega.
Pensem um pouco. Uma dica: Relacionem os seguidores do Twitter x Comentários nos posts.
Em todo caso, pra mim isso tudo foi uma grande besteira divertida. Divertida porque me diverti lendo cada post. Não porque eram engraçados ou não, mas simplesmente porque era uma briga virtual. E porque a cada post lido, eu pensei em cada uma das coisas que falei aqui. Chega? Chega.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
O seu problema
Esse texto teve um tema colaborativo entre eu e a @__nana. Ela bolou a frase inicial e nós combinamos que cada um escreveria um conto a partir dela. Apenas isso. E o que ela escreveu? Você pode conferir aqui ó: Nana e o mar. Enjoy them.
- Sabe, talvez o problema seja mesmo você.
- Sabe, talvez o problema seja mesmo você.
Ele pensou, enquanto se olhava no espelho do banheiro. Talvez ele fosse o problema. E não ela. Lá fora, mais uma noite fria na sua vida o aguardava. Foi até o quarto, pegou seu casaco e saiu de casa. Caminhou sem rumo, apesar de saber onde queria chegar. E onde queria chegar não era um lugar. Lembrou-se do curto conto que viveu com ela. Conto que ele adoraria que virasse um longo romance. Mas não virou. Ela não quis. E se ela não quis, motivos haveriam de existir. Motivos que seriam para sempre um mistério envolto nas várias hipóteses que ele imaginou.
Caminhou até passar em frente a um bar. Olhou para dentro e, sem saber direito porque, entrou. Pediu uma dose de whisky, acendeu um cigarro e sentou. Ficou ali, apenas observando as outras pessoas. Em outra mesa, havia um outro homem sentado, sozinho. Talvez ele também estivesse pensando em como chegar a algum lugar. Ou, talvez, estivesse pensando em como se perdeu.
Observou um casal e sentiu inveja. Levantou o copo e brindou sozinho aos caminhos daqueles dois que se encontraram. Chegou à conclusão de que ele era sim o problema. E que o seu problema era não saber como chegar àquele lugar. Começar a jornada, ele sabe. Mas sempre que se encontra em um cruzamento, não sabe para onde ir. Então, arrisca um caminho qualquer e, quando vê que errou, não tem mais como voltar e escolher outro.
O whisky terminou. Ele deixou uma nota sobre a mesa e saiu do bar. Enquanto andava, pensava. Qual será a solução para ele? Para o problema? Dentre todos os infinitos cruzamentos das ruas da vida, há uns dois ou três que o levarão até ela. Como descobrir qual escolher? E qual desses irá convencê-la a caminhar junto com ele? É essa dúvida que o faz continuar essa caminhada sem rumo. Por enquanto, sem fim. E, por enquanto, sem ela.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
O futuro da teledramaturgia brasileira
Na verdade, eu queria escrever algo com esse tema já há algum tempo. Mas agora há pouco o @felipeneto escreveu um post sobre esse assunto e então vou falar o que eu penso.
É notável a falta de criatividade das novelas brasileiras. Não culpo os autores. Não culpo apenas os espectadores. Eu culpo o sistema. No caso, a Rede Globo. Os 44 anos de história da emissora, que por tanto tempo lhe renderam o vanguardismo e a hegemonia midiática brasileira, estão agora pesando contra ela. A modernização na qual ela investe aplica-se única e exclusivamente no aspecto físico. Equipamentos. Hologramas no Fantástico, televisores touchscreen no Esporte Espetacular e poderosas câmeras digitais para filmar as novelas. Itens visualmente irrepreensíveis. Mas e o conteúdo? A originalidade? As novas e boas ideias? Foram ignoradas. Mas por quê? Porque a fórmula criada há mais de 4 décadas funcionou até então, e eles creem que há de continuar a funcionar. Porém, a geração já acostumada com as novelas como as conhecemos, está envelhecendo. No momento, a Geração Y está crescendo e tornando-se a nova consumidora de mídia, de programas, de conteúdo. Até então, várias gerações já haviam passado e continuado a consumir essas mesmas novelas previamente formuladas. Mas agora, a principal fonte de informação dessa geração não é mais a televisão, não mais a Rede Globo. E sim a internet. Os canais internacionais a cabo. As mídias sociais. A Web 2.0. E onde está o problema, ao menos para as grandes redes midiáticas e antiquadas? O problema está na formação de opinião. O tempo em que o Jornal Nacional ditava o que cada um veria e saberia está acabando. Por que vou esperar até as 20:15 da noite para saber o que aconteceu durante o dia pelo mundo se, pelo Twitter, eu posso descobrir quase que imediatamente? Porque eu vou comprar o jornal impresso na manhã seguinte se, pelo Twitter, eu já saberei tudo antes mesmo de ir dormir?
Tá, tudo bem. E onde isso impacta nas novelas? Oras, se você ainda não conseguiu descobrir, vou lhe dar algumas dicas. Isso impacta nas novelas a partir do momento em que a Geração Y tornou-se a geração mais exigente já vista. Exigente por ter todo e qualquer tipo de informação que queira, no momento em que está acontecendo e, ainda por cima, podendo opinar, refletir e demonstrar suas conclusões. E as novelas, cujos protagonistas são, em sua imensa maioria, pertencentes à classe média-alta com carros importados, roupas de marcas icônicas, casas maravilhosamente grandes e bem arquitetadas, estão tornando-se muito chatas. Porque eu veria a Helena (nas novelas do Maneco sempre há alguma chata Helena) se eu posso assistir House? Lost? The L World? Entretenimento com histórias muito mais interessantes e originais do que o último capítulo em que o vilão morre e a mocinha finalmente casa?
Ou seja, com o advento da Web 2.0 (ou como quiserem chamar), a nossa Geração Y irá ditar as regras. Os incômodos e intrusos comerciais de 30 segundos irão acabar. A publicidade deverá pedir licença para nos mostrar algo, e não mais irá instrusamente e de repente, interromper-me no meio do filme que estou assistindo. Os programas na televisão terão que criar apelos midiáticos diferenciados, para que eu não mude de canal (ou web channel). Nós ditaremos o conteúdo da mídia do futuro, e cabe a nós começarmos, desde já, a definir o que vamos querer assistir e consumir.
Update: Além desse medo na inovação de linguagem, a Rede Globo também tem medo das mídias sociais e do impacto delas na relação entre personalidades/fãs. A censura, senhoras e senhoras, definitivamente está de volta.
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sábado, 12 de setembro de 2009
Óbvia redundância
O subir para cima e o entrar para dentro têm absolutamente tudo a ver com o gostar de você. Foi o que ele pensou enquanto pensava nela. Essa óbvia redundância, apesar de clara, era nada. Nada daquilo que ele pensava que ela queria. E ele pensava que ela não queria nada.
Mesmo assim, ele passava horas do seu dia pensando nela. Horas que se estendiam vagarosamente. Ainda bem, imaginava ele. Pois assim, poderia pensar ainda mais nela. E tudo o que ele pensava era: Como? Como se aproximar sem se distanciar? Como demonstrar sem despencar? Como conseguir sem ela fugir?
Ele começou a relembrar do passado. Sempre ele, o cruel passado. O passado que tanto futuro prometeu. Mas não cumpriu. O passado que presentes deu, e depois, retomou. Palavras que foram ditas, sonhos, vividos e imaginações, criadas.
E o passado passou, presenteando-o com a triste realidade que tornou o futuro, incerto. Como sempre.
Para que, afinal, o comodismo, se podemos arriscar por muito mais? Ele propôs, sem que ela, talvez, sequer soubesse. E, de repente, a óbvia redundância voltou. E com ela, os sonhos a serem vividos, as grandes aventuras a serem imaginadas, o amor a ser consumido.
Talvez a eterna romântica alma dele seja paciente, esperançosa. E sempre há de sonhar. Há de viver um futuro que ainda não existe, mas ao mesmo tempo, existe. Nele. E essa romântica alma dele deseja e quer, de todas as maneiras, que ela também queira sair do comodismo para viver uma grande e redundante aventura. Mas nada óbvia. Cheia de simbolismos, significados, diversão e desafios. E ele tem certeza que felizes eles serão, desde que ela aceite o desafio. Desde que ela enxergue o futuro que ele imagina, para deixar o passado que passou e viver um belo, agradável, redundante e óbvio presente.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Pessoas do mundo
Há pessoas e pessoas nesse nosso mundo. Pessoas admiráveis e pessoas detestáveis. Cada uma a seu modo. Há aquelas tolas sonhadoras que vêem romance em tudo. Seja nas nuvens de um céu chuvoso ou nas estrelas de uma quente noite. Há aquelas realistas, incrédulas, amorfas. Chatas. Há pessoas felizes apenas por respirar, e pessoas tristes, apenas por existir. Há as apaixonadas por música, apaixonadas pelo cheiro de extrato de banco e de revistas novas, apaixonadas por si mesmas, apaixonadas pelo cheiro da noite e apaixonadas pelo dinheiro. Há as odiosas, que odeiam ligações de telemarketing de manhã cedo e odeiam cerveja quente e café frio. Há algumas que adoram discutir política, mas odeiam falar de futebol. Há outras que são apaixonadas pelo time do coração e têm um ódio mortal dos políticos corruptos. E há aquelas que nem ligam mais, nem pra um, nem pra outro. Talvez, nem pra si mesmas. Há pessoas que trocariam qualquer programação importante apenas para sair com os amigos, e pessoas que trocariam qualquer amigo para sair com a pessoa amada. Não podemos esquecer daquelas que vivem buscando ideias e inspirações, e aquelas que encontram inspiração só de olhar para uma fechadura, por exemplo. Há aquelas que sonham em pular de paraquedas e aquelas que tremem só de ficar à beira de um alto prédio. Há pessoas que amam o mar, outras que amam a piscina. Preferem catchup, ou preferem mostarda. Talvez até prefiram ambos, talvez adicionando maionese e pimenta. Enfim, há pessoas e pessoas nesse nosso mundo. A parte curiosa disso tudo surge quando descobrimos que todas essas pessoas na verdade são uma só. Nós mesmos. Um dia após o outro, um sonho após o outro. Ou, uma pessoa após a outra.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Andamos em círculos
Se você acha que a sua vida não vai pra frente, que você anda, anda e continua no mesmo lugar, não se desespere. Segundo uma pesquisa que eu recebi através da revista Superinteressante, nós realmente andamos em círculos:
Acredite: a gente anda em círculos
Esta é para aqueles que sempre reclamam que as pessoas têm dificuldade de seguir em frente: é que, na verdade, andamos em círculos – mas apenas quando não temos pistas visuais, como a luz do sol ou da lua. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa divulgada na revista online Current Biology.
De olho na sabedoria popular, o cientista Jan Souman e sua equipe do Instituto Max Planck Institute for Biological Cybernetics decidiram testar se as pessoas conseguiam andar em uma linha reta. Os locais escolhidos para o teste foram uma floresta alemã e o Deserto do Saara - tanto em dias de sol, como em dias nublados à noite. Os participantes foram monitorados por um aparelho de GPS e por um pesquisador.
De início, parecia fácil caminhar em linha reta: quem andava sob o sol parecia ter pouca dificuldade para manter o caminho. Mas era só o sol ou a lua desapareceram, que as pessoas ficavam perdidas e sem rumos. Mesmo achando que estavam andando em linha reta, elas começavam a rodar em círculos, chegando a passar pelo mesmo local várias vezes sem perceber. Os pesquisadores também vedaram algumas pessoas e orientaram que elas andassem em linha reta. Mas os voluntários acabaram caminhando em direções bastante aleatórias e em círculos até menores que 20 metros de diâmetro.
Souman irá agora testar a experiência em laboratório, com a ajuda de uma esteira e de um óculos de realidade virtual. Sua esperança é recriar alguns dos desafios de navegação num ambiente mais controlado.
É, no mínimo, curioso. Se quer um conselho, pare de andar. Se não, corre o risco de ficar tonto.
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